A anemia é caracterizada pela deficiência na concentração de hemoglobina ou na produção de hemácias. A hemoglobina é um tipo de proteína presente nos glóbulos vermelhos, também conhecidos como hemácias, cuja função é transportar oxigênio para os pulmões. Ao contrário do que muitas pessoas podem pensar, a anemia não é causada apenas pela deficiência de ferro, apesar de ser a forma mais comum. Existem dois tipos de anemia: agudas ou crônicas.
Agudas: quando há perda expressiva e acelerada de sangue, o que pode acontecer nos acidentes, cirurgias, sangramentos gastrintestinais, etc.
Crônicas: provocadas por doenças de base, algumas hereditárias (talassemia e anemia falciforme, por exemplo) e outras adquiridas, como as que ocorrem por deficiência nutricional, na gestação, por deficiência de ferro (anemia ferropriva, a mais comum), por carência da vitamina B12 ou de ácido fólico (anemia megaloblástica).
O principal sintoma da anemia é a redução do volume de sangue circulante e por consequência a diminuição da pressão arterial. Por isso, os alunos que possuem anemia crônica podem apresentar diferenças no rendimento durante os treinos e algumas situações de saúde como:
Palidez cutânea e nas mucosas;
Cansaço;
Falta de memória;
Tonturas;
Fraqueza;
Dores musculares;
Sonolência,
Falta de ar ou respiração muito curta;
Palpitação e taquicardia.
Alguns sintomas citados, como queda de pressão, falta de ar e taquicardia, podem se intensificar durante o treino, quando o corpo necessita distribuir grandes quantidades de oxigênio para garantir o bom funcionamento dos músculos. Quando essa distribuição é prejudicada, ocorre uma queda no rendimento e seu aluno se sentirá mais cansado para fazer os exercícios, mesmo aqueles que já está habituado a realizar.
Entretanto pesquisas mostram que fazer exercícios regularmente pode melhorar a resistência e o condicionamento físico geral, por isso alunos com anemia podem sim se exercitar desde que estejam liberados pelo médico e que você, professor, realize o acompanhamento necessário e saiba dosar a densidade dos treinos conforme desempenho e bem-estar.
Um documento publicado pelo Exercise is Medicine do American College of Sports Medicine traz algumas dicas sobre a prática de exercícios para quem tem anemia e é de extrema importância que você instrua seu aluno a:
Conversar com seu médico antes de iniciar o programa de exercícios.
Tomar todos os medicamentos recomendados. Importante: O exercício não substitui o tratamento medicamentoso, nem as dietas específicas.
Identificar as atividades que ele goste e realizar regularmente.
Começar com sessões mais curtas (10 a 15 minutos) se o nível de condicionamento físico for baixo e, gradualmente, adicionar cinco minutos a cada duas a quatro semanas. O objetivo do seu aluno será realizar de 30 a 60 minutos, pelo menos, três a quatro dias por semana.
Pelo menos duas vezes por semana, siga um programa de treinamento de força com seu aluno, realizando uma a três séries de exercícios para os principais grupos musculares, com 10 a 15 repetições.
Instrua-o a fazer pausas frequentes durante a atividade, se necessário. Os exercícios devem ser confortáveis.
Não exercite seu aluno quando a pressão arterial de repouso for maior do que 180/110 mmHg.
Alerte-o a parar o exercício imediatamente se sentir dor no peito ou angina.
Incentive-o a entrar em contato com o médico se sentir dor no peito, respiração difícil ou fadiga extrema.
Evitar exercício de alta densidade (quando não estiver condicionado a isso) e ingerir bastante líquido para reduzir o risco de crise falciforme (dor súbita pelo corpo).
Cada aluno é único, e exige uma dedicação personalizada. Para alunos com doenças como a anemia, o programa de exercícios físicos deve ser projetado para maximizar os benefícios com o menor risco de agravar sua saúde ou condição física.